A Aids e o mundo

Cerca de 10 milhões de pessoas no mundo precisam de medicamentos contra Aids, mas somente metade tem acesso ao tratamento; diminuição de investimentos para combate à epidemia; mais de 500 novas infecções por dia no Leste Europeu e Ásia; gel microbicida que pode reduzir em até 54% o risco de infecção; pesquisa sobre erradicação do HIV em reservatórios humanos: estes foram alguns dos temas discutidos na XVIII Conferência Internacional de Aids em Viena, Áustria. Um dos assuntos mais comentados durante a conferência foi a pesquisa que mostrou eficácia em até 54% no uso de um gel microbicida de introdução vaginal na prevenção do HIV entre as mulheres. Foi uma grande notícia que se confirmada à eficácia abre novos caminhos para prevenção, principalmente entre as mulheres.

Como o evento estava sendo realizado na região central da Europa com foco especial para o Leste Europeu, ficou evidente que medidas urgentes precisam ser tomadas para o enfrentamento da epidemia naquela região. Segundo dados do Unaids, o Leste Europeu e a Ásia Central são as únicas regiões do mundo onde o número de novas infecções do HIV cresce em uma proporção maior que nos anos anteriores. O compartilhamento de seringas injetáveis e a principal causa da transmissão do vírus. Antes da abertura do evento foi assinada a Declaração de Viena, onde diz que a criminalização dos usuários de drogas ilícitas está fomentando a epidemia de HIV e resultou em consequências sociais e para a saúde extremamente negativa. É necessária uma reorientação completa da política.

Foram feitas várias manifestações durante a conferência, principalmente sobre a redução de investimentos para o combate a epidemia. Segundo ITPC-Global (Coalizão Internacional para Adesão ao Tratamento) existe um déficit de 11.4 bilhões de dólares para o desenvolvimento de políticas contra o HIV e Aids no mundo. As lideranças mundiais precisam cumprir o que prometeram para garantir o acesso universal ao tratamento da Aids. Outros protestos foram feitos pela quebra de patentes dos medicamentos para Aids, pela liberação controlada da distribuição de seringas descartáveis e da metadona para usuários de drogas injetáveis entre outras.

Sobre as pesquisas para a cura da Aids os trabalhos apresentados mostraram caminhos promissores, em um deles conseguiram erradicar o vírus do HIV em reservatórios humanos onde mesmo com tratamento o vírus conseguia multiplicar. Mas a co-descobridora do HIV a francesa Françoise Barré-Sinoussi disse que as pesquisas no campo das vacinas precisam ser melhores coordenadas mundialmente.

(Rodrigo de Souza Pinheiro é presidente do Fórum de ONG Aids do Estado de São Paulo e vice-presidente do Grupo Humanitário de Incentivo à Vida – Ribeirão Preto)

Fonte: Gazeta de Ribeirão