Ativistas se dizem chocados com restrições de horário para realização do teste rápido de HIV na cidade de São Paulo

A denúncia de que os horários para a realização do teste rápido do HIV estão sendo restritas na cidade de São Paulo chocou ativistas. Para eles, isso é um “retrocesso” e um “desestímulo” à testagem como forma de prevenção. 

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Segundo divulgou no sábado passado o jornal Agora, 23 dos 25 SAEs não cumprem o horário de atendimento divulgado no site. O texto destacou que há centros que não atendem todos os dias, e outros que fazem o teste em apenas um período (saiba mais). 

Para o presidente do Fórum de ONG/Aids de São Paulo, Rodrigo Pinheiro, “isso é muito grave”. Ele afirma que ainda vai apurar o que está acontecendo e que, se for necessário, irá “acionar o Ministério Público para que o problema seja investigado”. 

“Essa postura está em desencontro com o que já foi acertado na época que foi lançada a iniciativa (da testagem rápida). Isso está sendo um desestímulo e indo totalmente contra a política de incentivo do teste, ainda mais no maior município do País”, argumenta. 

O professor e especialista em Saúde Pública, Mario Scheffer, lembra que o teste rápido é importante para evitar o problema da pessoa não voltar para buscar o diagnóstico, evitando, muitas vezes, a descoberta da doença apenas em um estágio mais avançado. “É inadmissível existirem obstáculos para a pessoa realizar o exame quando ela quer”, opina. 

“Normalmente a população procura o serviço quando foi exposta a infecção, e dificultar ou negar o acesso ao teste é, na verdade, negar o direito dessa pessoa de receber o diagnóstico”, explica. Ele ainda defende que o serviço deve estar disponível durante todo o horário de funcionamento do SAE. “Afinal, qual é o sentido de um serviço especializado se ele não está disponível justamente para quem o procura?”, completa.

O coordenador do Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (EPAH), José Araújo Lima Filho, afirmou que o que está acontecendo é um verdadeiro “sucateamento” dos serviços de teste rápido. “Estão acabando com o pouco que tinha e que era bom”. O ativista ainda completa que essa restrição está indo na contramão da história. “Eu nunca pensei que São Paulo fosse ser um mau exemplo na testagem, que até então estava indo tão bem”, comenta. 

O presidente do Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids), Américo Nunes, disse ter ficado “muito surpreso” com a denúncia, pois se reuniu recentemente com o Secretário Adjunto de Saúde, Paulo de Tarso Puccini, que não comentou sobre o assunto.

Secretaria de Saúde informa que são oferecidas capacitações para realização do teste periodicamente

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Saúde informa que o município tem 25 serviços especializados em DST/Aids, sendo 10 Centros de Testagem e Aconselhamento e 15 Serviços de Assistência. Os horários divulgados no site são os de funcionamento desses serviços, não especificando horários de testagem. 

Sobre a realização de testes em horários específicos, a pasta ressalta que isto ocorre mais em casos de realização do teste rápido de HIV, uma vez que o procedimento requer treinamentos específicos e profissionais de nível superior da área da saúde. “Estas informações são frequentemente passadas por telefone para otimização do fluxo do serviço. No entanto, ao chegar a um serviço especializado, o usuário é acolhido por um profissional e lhe é ofertada a sorologia convencional (coleta de sangue)”, diz em nota.

A secretaria destaca ainda “que são realizadas capacitações periódicas de profissionais para a realização do teste rápido”.

Fonte: Agência de Noticias da AIDS