Ativistas alertam em Belém sobre a vulnerabilidade ao HIV das populações que vivem nas regiões de fronteira

A necessidade de mais atenção por parte das autoridades sanitárias com a população que vive nas áreas de fronteira do País será uma das recomendações do documento oficial produzido no XVI ENONG. O Encontro Nacional das Organizações Não Governamentais que atuam no combate da aids (ENONG) termina nesta segunda-feira, 14 de novembro, em Belém, no Pará.

Reunidos na sala Karajás C, uma homenagem do Hotel Hilton a tribo indígena que habita a região do Rio Araguaia, Kátia Guimarães, representando o governo, e EliFrank Moris e Álvaro Mendes, representando a sociedade civil, falaram sobre alguns fatores que aumentam a vulnerabilidade das pessoas que habitam as regiões fronteiriças, como o sexo comercial sem preservativo, o enorme fluxo de diferentes populações e o uso de drogas.

Eli, que trabalha em projetos de prevenção às DST/Aids em Ponta Porá, cidade do Mato Grosso do Sul divisa com Pedro Juan Caballero, do Paraguai, disse que o sistema de saúde público da região está ficando saturado no lado brasileiro. “Temos registro de aproximadamente 30 mil brasileiros que vivem no lado paraguaio e quase 80 mil paraguaios que vivem do nosso lado, e por esse motivo acabam se tornando invisíveis para o censo, mas, na verdade, usam sempre os serviços do Brasil”, explicou.

Álvaro, da Associação Brasileira de Redução de Danos (ABORDA), contou que no Acre se tornou comum a chegada de refugiados do Haiti. Segundo as Nações Unidas, a prevalência média do HIV no Brasil é de 0.6% e no Haiti de 2%, mas neste grupo em situação de extrema pobreza que chega ao Brasil, passando pela Colômbia, a previsão da taxa de prevalência é muito maior.

Segundo Kátia Guimarães, da área de cooperação internacional do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o governo federal, em parceria com o Mercosul, está finalizando uma pesquisa para medir com mais precisão a prevalência do vírus HIV nas regiões de fronteira.

A partir destes dados, ela acredita que o País poderá formular novas estratégias para enfrentar a epidemia nesta área. Contudo, Kátia afirma que há cerca de 20 anos o Brasil vem desenvolvendo projetos com os países vizinhos para prevenir o HIV e prestar assistência aos infectados.

Além de constar no documento final do ENONG, os relatos sobre a vulnerabilidade da população de fronteira serão encaminhados ao Departamento de Aids para uma possível criação de um grupo técnico de trabalho para discutir o problema.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS