Para ativistas brasileiros, aids também está longe ser controlada e principal desafio é prevenção

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A co-descobridora do vírus HIV e ganhadora do prêmio Nobel de Medicina Françoise Barré-Sinoussi disse em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, publicada neste domingo, 26 de maio, que a aids não é uma doença superada e nem o HIV um vírus vencido. A opinião da pesquisadora francesa é endossada por ativistas brasileiros ouvidos pela Agência de Notícias da Aids, que acreditam que os maiores desafios no País se referem à prevenção do HIV.

Integrante do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP) e do projeto Saber Para Reagir em Língua Portuguesa, que trabalha com mulheres vivendo com HIV no Brasil e nos países africanos de língua portuguesa, a ativista Jenice Pizão diz que não consegue imaginar o fim da epidemia sabendo da situação atual de enfrentamento nos países pobres.

“Pelo o que vi na África, a epidemia está longe de ser superada. Em Moçambique, 85 crianças contraem o HIV por dia, principalmente por causa do aleitamento materno. No Brasil, temos o acesso universal ao tratatamento e um sistema público, mas não temos campanhas efetivas de prevenção. Se o número de casos aumenta, como a epidemia pode ser controlada com o acesso ao tratamento?”, questiona Jenice, em referência à fala de Françoise Barré-Sinoussi. “O que foi descrito por ela pode ser uma realidade no primeiro mundo, mas se tratando de Brasil e África, não consigo ver o fim da epidemia”, complementa a ativista.

Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo, também acha que a aids está longe de não ser mais um grande problema. Segundo ele, as ideias da cientista francesa são parecidas com as críticas antigas do ativistas brasileiros e com constantes cobranças do movimento social ao governo.

“Precisamos de campanhas para conscientizar a população, de um governo com atitudes inovadoras e não conservadoras. Enquanto não trabalharmos a epidemia desta forma, nao vamos avançar em seu combate”, diz ele.

Para Rodrigo, é primordial que se reduza a incidência dos novos casos no País, sendo este o principal desafio no combate à aids. “Do jeito que estamos a epidemia tende a crescer, porque não a enfrentamos de frente e não atingimos as populações mais vulneráveis”, opina

Na visão de Jenice Pizão “a aids é uma doença relativamente jovem e é inegável que tivemos grandes avanços, mas ainda há muito para ser feito”.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

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