1º de Dezembro: Moradores de São Paulo desconhecem informações sobre prevenção ao HIV, aponta pesquisa

Resultados inéditos de um estudo realizado pelo Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo indicam que, apesar das pessoas que moram na cidade se considerarem extremamente informadas sobre HIV e aids, elas desconhecem as formas de transmissão do vírus. As informações foram divulgadas na manhã desta quinta-feira, 1º de dezembro, durante o 8º Seminário de Pesquisas em DST/Aids, que ocorreu na capital paulista.

A pesquisa “A percepção da Aids na Cidade de São Paulo” começou a ser desenvolvida em 2010. Foram ouvidas 2002 pessoas, sendo homens e mulheres entre 15 e 49 anos de idade, de diversas faixas etárias, classes sociais, escolaridade e regiões.

Parte dos 62% dos entrevistados que disseram ter conhecimento sobre o vírus e a doença ficou em dúvida em dizer se são verdadeiras informações como “a pessoa só se infecta pelo HIV se tiver algum machucado na região genital” e “o vírus se transmite pelo sexo oral”.

“As repostas indecisas são as mais preocupantes, pois não se sabe qual será o comportamento dessas pessoas”, avaliou Fábio Garcia, da empresa Case – Pesquisas e Projetos Ltda., que contribuiu com o estudo.

Segundo informações do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o HIV, vírus causador da aids, está presente no sangue, sêmen, na secreção vaginal e no leite materno. Portanto, deixar de usar camisinha no sexo com penetração, mesmo sem feridas genitais, e/ou no sexo oral apresenta risco de infecção.

Ainda de acordo com dados oficiais, outros comportamentos de risco são o compartilhamento de seringa ou agulha; transfusão de sangue contaminado; instrumentos que furam ou cortam não esterilizados; e o não tratamento adequado da gestante soropositivo – nesse caso o filho pode ser infectado.

Márcia de Lima, do setor de prevenção do Programa Municipal de DST/Aids, disse que os resultados servirão para analisar e planejar ações. “É preciso continuar divulgando informações que pareciam esclarecidas, como as formas de infecção pelo vírus, junto com novas mensagens”.

Bons resultados

Alguns números do estudo foram considerados positivos pelos realizadores da pesquisa, como o fato de 88% dos entrevistados afirmarem que não possuem dúvidas sobre onde ir para fazer o teste de HIV e 81% confiarem no serviço público de saúde para realização do exame. 

Transmissão vertical do HIV

Ainda durante o 8º Seminário de Pesquisas em DST/Aids, a coordenadora de Transmissão Vertical de HIV e Sífilis do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Luiza Matida, reapresentou os resultados do estudo Avaliação da Transmissão Vertical do HIV no Estado de São Paulo, divulgado em 2010.

Entre as 992 gestantes notificadas com HIV em 2006, a taxa de transmissão vertical do vírus da aids – que ocorre quando o vírus é passado de mãe para filho – é de 2,7%. A sorologia da criança foi ignorada em 18,8% dos casos.

Embora ao longo dos anos tenha havido importante queda nos casos dessa forma de infecção pelo HIV – baixou de 9,4% em 2000 para 2,7% em 2006 – Luiza avalia que é “lamentável” que eles ainda sejam uma realidade. “Os serviços de saúde, principalmente os do interior do Estado, têm dificuldade de atender o público mais vulnerável, como as usuárias de crack. É preciso rever as maneiras de lidar com esses públicos”, disse.

Segundo Luiza, é necessária uma reorganização dos serviços. “O ideal é que o filho de uma mãe com HIV receba medicamento até duas horas depois de nascer. A pesquisa mostrou que isso aconteceu em menos de 10% dos casos.”

Pesquisa e ação

O coordenador do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Celso Galhardo Monteiro, afirmou que as pesquisas servem como fonte para novas estratégias e ações. “Estamos vivendo a terceira década da epidemia. Temos que refletir sobre as ações públicas de prevenção e assistência.”

Celso fez uma breve avaliação sobre a evolução do enfrentamento da doença. “No início, a aids trouxe perdas, frustrações e reflexões sobre a sexualidade. Com os antirretrovirais houve melhora na qualidade de vida. Agora, começamos a falar em cura.”

Ações no Dia Mundial

Por ocasião do deste 1º de dezembro, o Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo está realizando diversas atividades.

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) está recebendo uma campanha de prevenção, com distribuição de 50 mil preservativos masculinos e 8 mil adesivos de vidro com o slogan “Juntos na Luta contra a Aids”.

No Poupatempo Itaquera está ocorrendo a realização do teste rápido de HIV, distribuição de preservativos e material educativo, além de orientação ao público feita por profissionais de saúde.

Além disso, desde quarta-feira, dia 30, o Monumento às Bandeiras, os Arcos do Anhangabaú, o Obelisco e a Ponte Estaiada receberam iluminação vermelha.

O Edifício Itália, no centro da cidade, recebeu um laço vermelho – símbolo de luta contra a aids – gigante (foto)

(Crédito: Divulgação)

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

(Visited 1 times, 1 visits today)