COLUNA: NUTRIÇÃO: Amamentação e o vírus HIV

A transmissão do HIV da mãe soropositiva para o bebê é chamada de transmissão vertical e pode ocorrer durante a gravidez, parto ou até mesmo no período de amamentação.

No Brasil, os dados epidemiológicos apontam um número elevado de crianças contaminadas por suas mães com soropositividade do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). É possível diminuir o risco de transmissão vertical identificando seu status sorológico antes de engravidar. Quando a gestante é identificada soropositiva, serão necessários um acompanhamento pré-natal e profilaxia específica, além de cuidados especiais durante o parto e no aleitamento da criança.

Mas, infelizmente, muitas mulheres tomam conhecimento da própria soropositividade apenas quando descobrem que seu filho está infectado, no pré-natal, durante o parto ou até mesmo no pós-parto.

Ainda que se reconheça que alguns fatores interferem na transmissão vertical do HIV, não há como se identificar o nível real de risco de infecção pelo feto, embora estudos indiquem que, cerca de 65%, ocorre durante o trabalho de parto e no parto propriamente dito e que os 35% restantes ocorrem intra-útero, principalmente nas últimas semanas de gestação. Além disso, o aleitamento materno representa risco adicional de transmissão de 14% a 22%.

As recomendações de amamentação materna para países em desenvolvimento é que as mães HIV positivas se abstenham da amamentação. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a recomendação é de que mães HIV positivo não amamentem seus filhos, nem doem leite para Bancos de Leite Humano; contra indica também o aleitamento materno cruzado (aleitamento por outra mulher), orienta a “secagem” do leite e disponibiliza gratuitamente a fórmula infantil durante os seis primeiros meses de vida da criança.

Estudos realizados na África do Sul demonstram que as taxas de mortalidade são maiores para lactentes amamentados no seio por mães infectadas por HIV. A alimentação com fórmula industrializada associada à educação adequada e água limpa resulta em uma taxa de mortalidade menor para aqueles lactentes.

A Organização Mundial de Saúde, em 2001, reconfirmou algumas políticas sobre aleitamento materno por mães infectadas pelo HIV e claramente posicionam-se contra a amamentação quando a alimentação de reposição for aceitável, viável, acessível, sustentável e segura, por outro lado recomenda a amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida da criança.

Ainda na África do Sul estudos apontaram um risco para os lactentes que receberam alimentação previamente misturados com a amamentação em comparação aos que recebiam amamentação exclusiva até os 3 meses de idade. Pois, acredita-se que a introdução de alimentos sólidos precocemente pode causar dano físico ao trato gastrointestinal do bebê aumentando a probabilidade de penetração de partícula viral no revestimento intestinal ou causando uma reação alérgica.

Contudo, estas e outras questões relacionadas não estão claramente resolvidas e mais estudos estão sendo realizados. Algumas políticas ainda parecem ser controversas, portanto consulte sempre seu médico para maiores esclarecimentos.

Por Juliana Melão Passarella, nutricionista (CRN 30200) com especialização em docência para a Gastronomia. Docente dos cursos técnico e superior em gastronomia pela HOTEC e nutricionista da instituição de longa permanência para idosos, Lar do Aconchego, de São Paulo.

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