Se fizermos uma breve pesquisa em qualquer site de busca, facilmente encontraremos diversos estudos que relatam as importantes ligações entre a nutrição e a obtenção de melhores resultados no tratamento do HIV.

Para compreendermos, considere o Vírus da Imunodeficiência Humana, o HIV um grande causador de danos ao sistema imunológico do indivíduo que conduz a uma condição denominada AIDS, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

Algumas alterações no consumo alimentar, na absorção de nutrientes e até mesmo no metabolismo contribui diretamente para quadros comuns de desnutrição e desidratação. E a desnutrição por sua vez, auxilia na diminuição da atividade do sistema imunológico, tornando o organismo mais susceptível às temidas infecções oportunistas.

Então fica claro que a intervenção nutricional no portador de HIV tem sido recomendada devido a implicações nutricionais na evolução da infecção pelo vírus.

Em alguns casos de portadores de HIV as dificuldades em conseguir assegurar uma boa nutrição podem ocorrer por um conjunto de razões. Tanto o próprio vírus como os medicamentos podem causar uma multiplicidade de problemas que em última instância afetam a saúde nutricional do portador.

Entre os sintomas, normalmente aparecem anorexia, lesões orais e esofagianas, dificuldade em engolir, febre, náuseas, vômito, diarréia, entre outros. Eles podem aparecer associados à medicação e às infecções, à depressão e até mesmo à dificuldade de acesso ao alimento por questões socioeconômicas ou pela falta de estrutura doméstica e familiar, que acabam acarretando prejuízos no consumo alimentar.

Mesmo para pacientes que não possuem os sintomas e que conseguem se alimentar perfeitamente ainda deve se levar em consideração a má absorção de nutrientes, podendo se agravar com o efeito sinérgico existente entre as drogas usualmente prescritas no tratamento medicamentoso. Da mesma forma a atividade metabólica muito alta (hipermetabolismo) comum neste grupo, aumenta a necessidade nutricional do paciente contribuindo ainda mais para a desnutrição.

Para que o sistema imunológico reaja e permaneça saudável é necessária uma dieta balanceada e adequada a cada indivíduo. Mas podemos definir como regra geral a dieta rica em frutas, legumes, verduras, alimentos integrais, carnes magras e alimentos frescos. Quanto aos alimentos enlatados, alimentos industrializados, carnes gordas, frituras e doces em geral, não trarão os benefícios desejados e, portanto devem ser evitados.

Por isso, o tratamento nutricional preventivo trás grandes esperanças de vida prolongada, pois auxilia na redução da freqüência e da severidade das infecções, otimiza a resposta ao tratamento médico, contribui para abrandar a progressão da doença e a aumenta os benefícios de medicamentos anti-retrovirais, diminuindo também as reações ao tratamento.

A importância da nutrição em portadores de HIV é tão relevante, que muitos autores defendem que deveria ser tratada com a mesma atenção que as análises laboratoriais e carga viral, tanto pelas características da infecção pelo HIV quanto pelos possíveis efeitos adversos das medicações anti-retrovirais.

Portanto não há dúvidas que a boa alimentação nestes casos faz toda diferença, uma pessoa em um bom estado nutricional responde mais facilmente ao tratamento, atingindo mais rapidamente os objetivos de melhor qualidade de vida.

Por Juliana Melão Passarella, nutricionista com especialização em docência para a Gastronomia. Docente dos cursos técnico e superior em gastronomia pela HOTEC e nutricionista da instituição de longa permanência para idosos, Lar do Aconchego, de São Paulo.

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