Pequisa brasileira indica resistência do HIV ao tratamento da aids, mas especialistas afirmam que não há motivo para pânico

De acordo com reportagem publicada no jornal Folha de S.Paulo nesta sexta-feira, 12 de Fevereiro, uma pesquisa realizada em seis cidades brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belém, Salvador e Porto Alegre) por um grupo de cientistas de várias instituições traz um alerta: nas quatro primeiras cidades, existe risco de transmissão de variedades de HIV resistentes a drogas antirretrovirais. Por outro lado, afirma o grupo, a quantidade de vírus resistentes no Brasil, em média, é aceitável e parecida com a encontrada em outros países.

Em números, de 210 indivíduos recém-infectados com HIV no Brasil, 17 (8,1%) carregavam variedades de HIV já resistentes a pelo menos uma droga antirretroviral, classe de medicamento utilizado no tratamento da aids.

Segundo Maria Cecília Sucupira, bióloga da Universidade Federal de São Paulo e uma das autoras do estudo, a resistência surge devido à má utilização dos remédios. “A quantidade de medicamento que circula no organismo é suficiente para fazer com que não aconteça a replicação do vírus. Mas, se hoje você toma no horário certo e amanhã você esquece, o nível de medicamento no sangue diminui e, como o HIV é um vírus muito mutante, você dá chance para que mutações resistentes comecem a se multiplicar”, diz. Mais de 200 mil pessoas tomam antirretrovirais no país.

Resistência prévia

Como os indivíduos que participaram do estudo tinham contraído a doença recentemente, eles ainda não tinham iniciado o uso de medicamentos. O vírus não tinha, portanto, adquirido resistência nos seus organismos. O HIV já chegou resistente a eles.

O trabalho envolveu cientistas do Ministério da Saúde e de várias universidades e institutos de pesquisa pelo país e foi publicado no final de 2009 no periódico “Journal of the International Aids Society”. (RM)

Fonte: Folha de S.Paulo
Problema já era esperado, dizem especialistas

No começo deste ano, uma pesquisa divulgada pela revista científica norte-americana Science também apontou o risco de uma epidemia de HIV resistente aos antirretovirais, mas segundo especialistas ouvidos pela Agência de Notícias da Aids, não há motivo para pânico, já que esse problema já era esperado.

“Sempre que um paciente é tratado com medicamento existe a possibilidade de resistência”, disse o coordenador-adjunto do Programa Estadual DST/Aids de São Paulo e principal pesquisador da Unidade de Pesquisa de Vacinas Anti-HIV do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids (CRT) do estado, Artur Kalichman.

Para Artur, “é preciso melhorar a qualidade do acompanhamento e as estratégias de prevenção para as pessoas que já têm o vírus”, declarou, explicando que essas são maneiras de diminuir a transmissão de vírus resistentes.

“Essa resistência não pode servir de argumento para que o acesso aos antirretrovirais deixe de ser ampliado”, reforçou.

Já o médico e assessor de projetos Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, Juan Raxach, avaliou que o que existe por trás do tema de vírus resistentes é o mercado de medicamentos.

“A maioria dos novos antirretrovirais já atua contra cepas resistentes, e claro, são mais caros e protegidos por patentes. A epidemia da aids está ligada a contextos econômicos, políticos e sociais.”

O ativista defende a individualização do tratamento, isso porque, segundo ele, o HIV atua de diferentes maneiras em cada organismo.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

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